27/12/2010

As 2 Igrejas

Para alguns deveriam haver 2 tipos de Igreja:Uma para pessoas de 1ª, como eles, onde não tivessem de compartilhar o mesmo espaço com pessoas sem o nível de perfeição delas, onde não se sentissem escandalizadas por terem de conviver com pessoas com vidas não transformadas, onde os seus filhos estivessem seguros por não partilharem o mesmo espaço com outras crianças oriundas de famílias sem os mesmos princípios que os deles, onde eles fossem a prioridade da atenção, daquilo a que eles chamam de "cuidado pastoral", onde o seu conforto religioso nunca fosse desafiado, apenas promovido e louvado, onde eles "sentissem" a presença de Deus como se fossem os barómetros da evidencia desta mesma presença, decidindo pela sua visão a preto e branco, aquilo que "é de Deus" e o que "não é de Deus", onde a Salvação fosse pela fé, mas também um pouco pelas obras, as deles, para que algum mérito possam ter e não sejam contados com a "enxurrada" dos outros que "apenas" são alcançados pela Graça de Deus. Depois haveria uma outra Igreja para os "outros", aqueles que ainda não chegaram lá, cujo as vidas estão uma confusão, os que não têm fé para vencer, os que não têm um nível de obediência à Palavra de Deus como eles têm, e por isso estão a pagar com a vida por esse facto, os que falham, se enganam, erram, aqueles que não imitam as suas obras nem os seus preceitos, aqueles que não tiveram sucesso nos seus casamentos, nos seus negócios, nas suas escolhas e como tal devem passar por um purgatório eclesiástico, onde eles serão instrutores e juízes do processo de regeneração e consequentemente de admissão naquilo que orgulhosamente intitulam de "o remanescente fiel". Esta seria uma igreja onde a presença de Deus não "seria tão forte" como na deles, pois Deus nunca iria ter tanto prazer na presença destes como na deles. Nesta Igreja Deus "dispensa" a Sua presença como que por obrigatoriedade com a Sua graça, mas na deles estaria por prazer na comunhão com "os escolhidos".Sim, haveriam 2 Igrejas, mas uma seria melhor que a outra, aliás, como eles são melhores que os outros...

Ainda bem que Jesus disse que iria edificar a Sua Igreja, que é só uma e onde TODOS têm lugar, mas se, como se de um pesadelo se tratasse, eventualmente o quadro acima descrito existisse, eu queria pertencer à segunda Igreja, porque sinceramente confesso, acho que era a que mais tinha a ver comigo.... e contigo?

17/06/2010

Progresso vrs estagnação

No processo individual de crescimento sempre experimentamos mudanças. O Deus criador é progressivo por natureza. Tudo o que Ele faz, intervém ou toca, experimenta progresso.Ao dispensar a Sua imagem ao Homem Ele dispensou-lhe também esta característica.O progresso faz parte da natureza humana. Este progresso, crescimento ou evolução quando é interrompido, apelidamos de estagnação. Estagnação é uma interrupção no processo de crescimento. Como ser humano, que acredita ser criado à imagem de Deus, acredito no crescimento e desenvolvimento humano e que a estagnação deve ser combatida pela nossa vontade de encontrar e viver para o propósito da nossa existência. Falhanços e fracassos não revelam a miséria humana, mas sim quem desiste de lutar pelo que acredita. Pior ainda é quando nos tornamos combatentes daquilo que outrora acreditamos e sonhamos. O maior sinal de estagnação pessoal é quando nos transformamos naquilo que antes lutamos para mudar.À sombra da desculpa da "maturidade", da "experiência"não mais fazemos do que esconder o facto de que perdemos a "fibra" . Entristece-me quando constato que pessoas, outrora referencias e marcos de mudança, com toda a coragem associada a isso, foram "abafadas" pelo Status Quo, moldando-se ao peso da ditadura da mediocridade, tornando-se cínicos combatentes do "facho" que já transportaram em tempos. Criticam aquilo pelo qual já foram criticados, e hoje são predadores daquilo que eles mesmos iniciaram. Creio que muitas vezes isto mais não é que uma enorme frustração encapotada por sonhos não realizados e projectos inacabados

Admiro os homens e as mulheres, que mesmo com o avançar da idade, continuam inovadores, amigos da mudança e do progresso, mesmo falhando levantam-se e o seus fracassos não vergam as suas convicções, antes as alimentam como se a cada obstáculo vissem a vitória cada vez mais perto. Não se "amedrontam" com quem se levanta vendo nisso um reflexo do investimento da sua vida. Felizmente conheço pessoas bem mais velhas do que eu e que me dão lições de fé e esperança para o futuro, que não se tornaram "azedas" mas a sua capacidade de continuarem a surpreender, aprender e crescer, são uma grande inspiração para gerações mais novas.
Eu não quero estagnar nunca e quero ser um agente de progresso e mudança. Que Deus me ajude e vocês também, pois se me virem a "estagnar" e tornar-me naquilo que sempre quis transformar, têm todo o direito em me corrigir.. isto se a doença da estagnação não me roubar, não somente a visão, mas também a audição!!

17/03/2010

A verdade e o boato

Ultimamente tenho recebido muitos emails com "noticias"relativas a figuras públicas, expondo pseudo factos sobre aspectos da vida destes. Ou é a casa onde habitam que custou "não sei quantos"milhares de euros, ou o emprego para o filho conseguido com a cunha de determinado amigo ou ainda questões de ordem moral, ética e até criminal. Tudo isto vem "reenviado"por alguém que já recebeu de alguém e que foi alguém que já tinha lido algures, sobre estas matérias. Claro que tudo isto normalmente vem sem fontes, sem nomes,em suma, sem uma investigação séria e baseado no "sei de alguém que já viu", "ouve-se dizer" e outras expressões similares tão típicas  e basilares do boato e do "jogo rasteiro".

Atacar figuras públicas entrincheirados no anonimato a que a  sua irrrelevância os confinou, tornou-se o "hobby" de alguns. O boato é sempre mais fácil de espalhar que a verdade pois esta exige um rosto, um compromisso, não se compadece com a escuridão, nela não há vultos mas tudo tem contornos bem definidos. A verdade liberta, restaura e constrói, o boato é cobarde e só tem um objectivo: destruir. Uma preocupação genuína com a verdade não é compatível com quem, por um lado "atira pedras"a quem está exposto e por outro, são os primeiros a enganar o estado e a enganar o próximo. A inveja é muitas vezes o combustível destes arautos da moral. A defesa da verdade exige a vida. Não se pode ser seu defensor no conforto da pequenez do anonimato, há que dar "o corpo ás balas".A verdade não está à distancia de um clique no "enviar"de um email, ela exige o nosso rosto, a nossa forma o nosso compromisso.A verdade é solida o boato é gelatinoso.Se eu quero que a verdade triunfe ela pede-me a vida, se eu quero que o boato prospere ele só pede a vida de outro.
Quando receberes um desses emails, ou ouvires uma conversa menos abonatória sobre alguém pensa um pouco... talvez seja mais sábio clicar no "delete" do que no "send"

05/10/2009

Guetos: não obrigado

“Local onde uma minoria está separada do resto da sociedade”. Esta é a definição do dicionário Português para a palavra “gueto” ou “ghetto”Ao olhar para a vida de Jesus, salta imediatamente á vista a sua postura antí segregação, fosse ela de que ordem fosse. Era frequentemente visto na companhia de pessoas ou grupos de pessoas que eram considerados marginais na cultura Judaica, o que lhe trouxe bastante oposição e criticas por parte do “status quo” da altura. Desde cedo que se percebeu que Jesus tinha uma postura de afronta ao exclusivismo religioso, colocando assim na génesis e ADN do cristianismo o valor da inclusão, não como prémio da mudança, mas como único caminho para a transformação individual e, consequentemente, social. O amor, como elemento nuclear da espiritualidade cristã, tem uma expressão social: INCLUSÃO. Se o amor é a marca espiritual do cristianismo então a inclusão é a sua marca social.

Creio que a inclusão tem duas vertentes que devemos considerar: A vertente de incluirmos e a de nos deixarmos incluir.

Gostaria de começar pela segunda vertente (deixarei a primeira para um outro post), ou seja, a de nos deixarmos incluir. É certo que a bíblia nos ensina que nós somos “separados” para Deus, quando resolvemos estabelecer um relacionamento com Deus e seguir os seus planos e propósitos para nós. No entanto, creio eu, que esta é uma separação de identificação espiritual e nunca uma segregação social. Eu não preciso de me “isolar” do resto do mundo para viver a minha fé. Mas que tipo de fé é esta que precisa de um “isolamento” quase clínico para sobreviver, não podendo ser incluída e partilhada, com receio de contagio e contaminação, com aqueles que não a têm? Só é inclusivo quem é seguro e só se deixa incluir quem tem a firme certeza do que crê. É por isto que a minha teologia e sensibilidade é “arranhada” com a proliferação de “guetos cristãos”, em que determinadas pessoas com interesses, profissões e dons similares se reúnem, formando mais um grupo cristão disto ou daquilo ao invés de nos incluirmos na vida social. É por isto que eu não acredito num partido cristão, mas em cristãos nos partidos políticos. Prefiro, ao invés de uma escola cristã, de professores cristãos nas escolas, que são de todos. Não me agrada o conceito de arte cristã, mas agrada-me cristãos que fazem arte. A proliferação destes guetos torna o cristianismo esquizofrénico, alienado, irrelevante, no fundo, sufocando o poder de uma mensagem que necessita de ser “incluída” no dia a dia das pessoas, na politica, nas artes e cultura, na economia. Porque é que tem de haver sempre uma “versão cristã” de tudo? Será porque as existentes não funcionam bem? se assim for, então incluamo-nos nelas e sejamos agentes de mudança...ou será porque temos receio de nos incluir, de ter contacto com o “mundo real”? Provavelmente a “grande fé” dos impulsionadores deste “guetos cristãos” não é assim tão forte, quando confrontada, desafiada ou contrariada. O mais fácil, mas também menos eficaz, é fugir e formar um gueto, pois aí ela, a fé, está mais segura.

Mas, sinceramente, não era esta a fé de Jesus. Ele nunca se escondia ou fugia, na face da contrariedade, mas tinha uma convicção inabalável do Seu propósito. Eu quero ser como Ele. A mensagem de Cristo é poderosíssima, forte, forjada na adversidade e resistente a tudo. A criação destes guetos é um mau serviço que lhe prestamos. Vamos nos deixar incluir, e se a nossa fé e mensagem é realmente assim tão transformadora, vamos colocá-la onde ela mais é precisa. 

10/09/2009

Novo "ruiquismo" intelectual

Todos estamos familiarizados com o conceito de novo "riquismo". Pessoas que alcançaram, normalmente de forma rápida, prosperidade material, mantendo no entanto um estilo e comportamento de gosto duvidoso, cuja a riqueza material só amplia. Tenho para mim que a abundância material não muda ninguém, apenas amplia o que já somos. Creio que todos temos direito á prosperidade material, mas que esta deve ser acompanhada com investimento na nossa formação, mudança interior e, acima de tudo, carácter.

O programa “novas oportunidades” trouxe a possibilidade a muitas pessoas de investirem na sua educação, facilitando o acesso à escola, novas tecnologias, formação, em suma, abrindo portas julgadas há muito fechadas para sempre, por aqueles que hoje delas beneficiam. E isto é bom. O que já não é bom é aquilo que eu chamo de novo "riquismo" intelectual. O facto de alguém ter melhorado o seu nível escolar, conhecimento tecnológico ou até alcançado o tão desejado “canudo” não traz por si só mudança. Se o exibicionismo material, característica transversal dos “novos ricos” é um resultado de uma “bimbalhice “inalterado pela abundância de bens, também o estendal público de conhecimentos adquiridos, sem estilo, sem outro propósito que não seja a exibição, reflectem que, apesar de cheios de novos conhecimentos, continuam “bimbos”.

As redes sociais têm sido, infelizmente, “assaltadas” pelos novos ricos intelectuais, que por não terem quem os oiça ou siga, procuram encontrar ali uma audiência que não têm.  O facebook, nomeadamente, tem se tornado um depósito de chavões e debates inconsequentes de “pastores” sem ovelhas, “políticos”que ninguém ouve, “mestres” sem seguidores.

Prosperidade material, educação, conhecimento, elementos essenciais e enriquecedores da nossa vivência, poderão tornar-se nocivos quando usados como a prova inequívoca da nossa superioridade em relação ao próximo. Há uma grande diferença entre o dar, ensinado pelo nosso grande Mestre Jesus, e o exibir. Sinceramente creio que o que temos, sejam bens, conhecimento, dons, tem como propósito a partilha, que decerto ajudará a melhorar a vida de alguém, e não o exibicionismo, que apenas promove o orgulho e a grandeza balofa do ego.

 

17/06/2009

Sou uma pergunta ou uma resposta?

Creio que todos reconhecemos a necessidade de pessoas inspiradoras no nosso percurso de vida. Elas desafiam-nos, motivam-nos e "empurram-nos" para o futuro. Neste tempo de dificuldade generalizada parece que se instalou uma desmotivação global em todos , ou quase todos, os sectores da sociedade. Mais do que nunca pessoas inspiradoras são um bem essencial, quase higiénico, num mundo mergulhado em pessimismo e com os níveis de confiança e esperança no futuro muito em baixo. Pedimos, imploramos, exigimos, ou se formos homens e mulheres de fé, oramos e suplicamos a Deus que nos envie esse tipo de pessoas ao nosso percurso de vida, de maneira a recebermos esse tal "input" que tanto ansiamos. Procuramos desesperadamente respostas para as nossas necessidades, precisamos que alguém nos ouça e nos envie uma resposta. Sim porque nós precisamos de respostas ás nossas dúvidas e anseios. Sim porque nós temos necessidades que precisam de ser supridas. Alguém tem de nos ouvir, seja ele Deus, governo, patrão, pai ou mãe, mas alguém tem de nos ouvir e dar uma resposta. Pessoalmente creio que a grande tragédia desta sociedade pós moderna iluminada, cheia de direitos para tudo e mais alguma coisa, é que há muita gente a fazer perguntas e pouca gente a ser resposta. Estar do lado da pergunta é estar do lado do direito adquirido, estar do lado da resposta é estar do lado da responsabilidade assumida. É urgente uma mudança de mentalidade, sob pena de nos afogarmos numa torrente pessimista e fatalista, alimentada de questões, que por tantas serem, nunca vão encontrar resposta, apenas roubam a nossa paz e equilíbrio. Uma mudança de paradigma em que ao invés de exigir soluções  passamos a ser essa solução, torna-mo-nos a resposta em vez de interlocutores  do pedido. Muita gente com fé em Deus gasta mais tempo a pedir ao Divino por uma resposta em vez de fazerem alguma coisa para serem essa mesma resposta. Eu penso que é bem precisa mais fé para ser resposta do que para fazer pedidos.  Não se constrói uma vida com propósito baseada exclusivamente em direitos, mas sim em responsabilidades. O titulo deste post é ambíguo pois ele mesmo é uma pergunta mas subentende uma critica ao estilo de vida baseado em questões e direitos e não em respostas e responsabilidades. Não será este titulo uma expressão da nossa sociedade ambígua que exige aquilo que não está disposta a fazer?

Como acredito que podemos sempre terminar melhor do que como começamos, termino dizendo: EU QUERO SER UMA RESPOSTA E UMA INSPIRAÇÃO!!

26/05/2009

Juntos somos mais fortes

O medo da solidão é dos medos mais silenciosos, mas mais presentes na consciência humana. O Homem não foi "programado"para estar só mas para viver em comunidade. A constatação de que a solidão não era algo para a qual o homem estivesse destinado, foi feita pelo próprio criador. É das passagens mais desconcertantes da bíblia, Génesis 2:18, quando Deus diz. "...não é bom que o Homem esteja só...". Depois de criar todas as coisas, o livro do Génesis usa, no final de cada dia do relato criacionista, a expressão "e viu Deus que era bom". Mas apesar da perfeição da criação divina e de realmente Ele ser perfeito, nunca perde a capacidade de avaliar. E foi nessa "avaliação divina"que Deus decidiu que não era bom para o Homem viver só.

Fomos criados para ter relacionamentos, pois eles são o projecto de Deus para o nosso crescimento, nutrição e complementaridade. Relacionamentos são fundamentais para o nosso equilíbrio e sucesso pessoal. Juntos iremos sempre mais longe do que sozinhos, seremos sempre maiores e alcançaremos sempre mais. Não há relacionamentos saudáveis sem investimento pessoal. Até Adão teve de"investir uma costela dele" para ter um relacionamento. Numa sociedade por vezes tão centrada no "eu" e com os resultados que se conhece, penso que está na altura de entendermos a força e o poder da comunidade, dos relacionamentos.Há um texto bíblico em Eclesiastes 4:12 que diz: " E, se alguém prevalecer contra um, dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa"(Vrs. João Ferreira de Almeida corrigida e revisada). Investe em relacionamentos... juntos somos mais fortes!!